O modelo comercial: um entrave persistente à aprendizagem da regra de sinais

Autores

  • Selma Felisbino Hillesheim Universidade Federal de Santa Catarina
  • Méricles Thadeu Moretti Universidade Federal de Santa Catarina

DOI:

https://doi.org/10.26843/rencima.v4i2.824

Palavras-chave:

Números Negativos, Regra de Sinais, Modelo comercial, Princípio de Extensão, Congruência Semântica

Resumo

A regra de sinais para a multiplicação, mesmo tendo sido utilizada por vários séculos, só foi demonstrada em 1867 por Hankel. Do ponto de vista matemático, a questão está resolvida completamente, mas dificuldades no ensino e na aprendizagem dessa regra ainda persistem hoje. O modelo comercial para os números relativos é ainda um modelo importante no ensino dos números relativos e que, muitas vezes, se transforma na sua própria concepção. Neste trabalho, criticamos de forma contundente esse modelo, analisando-o do ponto de vista da noção de congruência semântica desenvolvida por Duval e apresentamos uma alternativa que toma por base o princípio de extensão. Um estudo com alunos do 7o ano do ensino fundamental aponta uma possibilidade de ensino para os negativos e obstáculos que se estabelecem quando esses números são ensinados e a metáfora comercial é adotada. 

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Publicado

2013-07-01

Como Citar

HILLESHEIM, S. F.; MORETTI, M. T. O modelo comercial: um entrave persistente à aprendizagem da regra de sinais. Revista de Ensino de Ciências e Matemática, [S. l.], v. 4, n. 2, p. 37-56, 2013. DOI: 10.26843/rencima.v4i2.824. Disponível em: https://revistapos.cruzeirodosul.edu.br/index.php/rencima/article/view/824. Acesso em: 27 set. 2022.

Edição

Seção

Artigos