Os métodos de ensino das escolas de aprendizes artífices: vestígios da constituição saberes para ensinar a partir da mobilização dos saberes aritméticos

Palavras-chave: História da Educação Matemática, Método Slöjd, Método Intuitivo, Ensino Profissional, Aritmética

Resumo

As Escolas de Aprendizes Artífices são consideradas um marco para a constituição de uma rede voltada para ensino técnico profissional no período da primeira república. Essa rede, no decorrer de sua história apresentou problemas quanto à qualidade do seu ensino, o que levou o governo a tomar algumas medidas. Essas medidas apontam para a tentativa de difundir métodos de ensino que pudessem trazer uma solução para a demanda apresentada. Nesse sentido, este trabalho tem por objetivo descrever, por alguns indícios, quais métodos de ensino fizeram parte das ações e práticas educativas das Escolas de Aprendizes Artífices. Para tanto, utilizou-se da categoria saberes para ensinar para observar e interpretar a possibilidade da existência de um método próprio para a instituição. Como fonte primária, analisaram-se documentos normativos e relatórios ministeriais. Como fonte secundária valeu-se de literatura consolidada sobre ensino profissional e trabalhos acadêmicos que se relacionam com a temática deste trabalho. A conclusão é de que há indícios que a intersecção entre o método intuitivo e slöjd possam ter levado a instituição a realizar ações e práticas, voltadas para o ensino técnico profissional, que sejam próprios para a Escola de Aprendizes Artífices. Essa conclusão pode ser observada quando se analisa a mobilização dos saberes aritméticos.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Referências

BARBARESCO, C. S.. Saberes a ensinar aritmética na Escola de Aprendizes Artífices (1909-1937) lidos nos documentos normativos e livros didáticos. 2019. 183f. Dissertação (Mestrado). Universidade Federal de Santa Catarina, Programa de Pós-Graduação em Educação Científica e Tecnológica, Florianópolis, 2019.

BARBARESCO, C. S.; COSTA, D. A.. A expertise de João Lüderitz: A organização do ensino de aritmética nas Escolas de Aprendizes Artífices (1920-1926). REMATEC, v. 15, p. 48-69, 2020.

BRASIL. Decreto n. 7.566 de 23 de set. 1909. Cria nas Capitais dos Estados da República Escolas de Aprendizes Artífices para o ensino profissional primário e gratuito. 1909a.

BRASIL. Decreto n. 7.649 de 11 de nov. 1909. Cria nas Escolas de Aprendizes Artífices os lugares de professores dos cursos primários noturnos e de desenho. 1909b

BRASIL. Decreto n. 7.763 de 23 de dez. 1909. Altera os decretos de n. 7.566 e 7.649. 1909c

BRASIL. Decreto n. 9.070 de 25 de out. 1911. Dá um novo regulamento ás Escolas de Aprendizes Artífices. 1911.

BRASIL. Ministério da Agricultura, Indústria e Commercio. Relatório de gestão do Ministro José Rufino Beserra Cavalcanti, 1917.

BRASIL. Decreto n. 13.064 de 12 de jun. de 1918. Dá novo regulamento às Escolas de Aprendizes Artífices. 1918.

BRASIL. Ministério da Agricultura, Indústria e Commercio. Relatório de gestão do Ministro José Rufino Beserra Cavalcanti, 1919.

BRASIL. Decreto n. 13.721, de 13 de agosto de 1919. Autoriza o Ministro de Estado dos Negocios da Agricultura, Inddustria e Commercio a entrar em accordo com a Prefeitura do Districto Federal, no sentido de acceitar a transferencia para o Governo Federal a Escola Normal de Artes e Officios Wenceslau Braz. 1919.

BRASIL. Ministério da Agricultura, Indústria e Comércio. Relatório das Escolas de Aprendizes Artífices: 1920. Rio de Janeiro: Papelaria e Typographia Villas Boas & C, 1921.

BRASIL. Ministério da Agricultura, Indústria e Comércio. Relatório das Escolas de Aprendizes Artífices: 1923. Rio de Janeiro: Papelaria e Typographia Villas Boas & C, 1921.

BRASIL. Ministério da Agricultura, Indústria e Comércio. Relatório das Escolas de Aprendizes Artífices: 1925. Rio de Janeiro: Imprensa Nacional, 1929.

BUYSE O.. Methodos Americanos de Educação Geral e Technica. Tradução Luiz Ribeiro de Senna. Bahia: Imprensa Official do Estado, 1927.

CONCEIÇÃO, G. L.. Experts em educação: circulação e sistematização de saberes geométricos para a formação de professores (Rio de Janeiro, final do século XIX). 143f., 2019. Tese (Doutorado em Ciências). Universidade Federal de São Paulo, Escola de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, Programa de Pós-Graduação em Educação e Saúde, Guarulhos, São Paulo, 2019.

COSTA, D. A.. Alguns elementos da história da educação matemática no estado de Santa Catarina, Brasil, no século 20: a aritmética nos grupos escolares. História da Educação, v. 18, p. 27-43, 2014.

CUNHA, L. A. O ensino de ofício nos primórdios da industrialização. São Paulo: Editora UNESP, 2000.

FRIZZARINI, C. R. B.. Saberes matemáticos na matéria Trabalhos Manuais: processos de escolarização do fazer, São Paulo e Rio de Janeiro (1890-1960). 2018. 184f. Tese (Doutorado) – Universidade Federal de São Paulo, Escola de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, Programa de Pós-Graduação Educação e Saúde na Infância e na Adolescência, 2018.

GAZETA DE NOTÍCIAS, Rio de Janeiro, 9 abr. 1925.

HOFSTETTER, R.; SCHNEUWLY, B.. Saberes: um tema central para as profissões do ensino e da formação. In: HOFSTETTER, Rita. VALENTE, Wagner Rodrigues. (Org.). Saberes em (trans) formação: tema central a formação de professores. 1 ed. São Paulo: Editora da Física, 2017, p. 113 – 172.

MARQUES, S. M. L.. Escola Profissional Masculina da capital (São Paulo): Um estudo sobre o "Sloyd" educacional (1911-1934). 2003. 154 f. Tese (Doutorado) – Programa de Pós-Graduação em Educação: História, Política, Sociedade, Pontifícia Universidade Católica De São Paulo, 2003.

OLIVEIRA, M. A.. Antônio Bandeira Trajano e o método intuitivo para o ensino de arithmetica. 2013. 142 f. Dissertação (Mestrado) – Programa de Pós-Graduação em Educação, Universidade Tiradentes. Sergipe, 2013.

OLIVEIRA, M. A.. Pestalozzi, o método intuitivo e os saberes elementares aritméticos. In: Wagner Rodrigues Valente. (Org.). Cadernos de Trabalhos: Métodos. 1ed.São Paulo: Editora Livraria da Física, 2015, v. 4, p. 15-44.

PANDINI, S.. A Escola de Aprendizes Artífices do Paraná: “Viveiro de homens aptos e úteis” (1910-1928). 2006. 147f. Dissertação (Mestrado) – Programa de Pós-Graduação em Educação, Universidade Federal do Paraná. Curitiba, 2006.

SOARES, M. J. A.. As Escolas de Aprendizes Artífices: estrutura e evolução. Fórum Educacional, Rio de Janeiro, v.6, n.2, p. 58 – 92, jul/set, 1982.

SILVA, C. M. S. Imagens nos livros didáticos de matemática: Georg Augusto Büchler e Karl Sölter. Acta Scientiarum Education (online), v. 39, p. 55-65, 2017.

SILVA, M. C. L.. História do ensino de geometria nos anos iniciais e seus parceiros: desenho, trabalhos manuais e medidas. São Paulo: Livraria Física, 2021.

SIQUEIRA FILHO, M. G.; LEGROS, V. A aritmética e o método intuitivo nos manuais escolares do ensino primário (médio e superior/complementar) no Brasil e na França no final do século XIX e início do século XX. Perspectiva. Florianópolis, v. 34, n. 1, p. 15 – 40, jan./abr. 2016.

Publicado
2021-08-25
Como Citar
BARBARESCO, C. S.; DA COSTA, D. Os métodos de ensino das escolas de aprendizes artífices: vestígios da constituição saberes para ensinar a partir da mobilização dos saberes aritméticos. Revista de Ensino de Ciências e Matemática, v. 12, n. 5, p. 1-17, 25 ago. 2021.