Dos quadros de Dunton às cartas de Parker: números e cálculos à vista (São Paulo, 1890-1910)

Palavras-chave: Aritmética, Escola Primária, Materiais Didáticos, Método Intuitivo

Resumo

A partir de um conjunto de documentos que expressam estratégias políticas e pedagógicas dos republicanos paulistas na institucionalização da escola pública, objetivou-se identificar as orientações dadas aos professores para ensinar Aritmética no curso primário e analisar a organização didática dos seus saberes focalizando, de modo particular, o uso dos Quadros americanos (de Dunton) e das Cartas de Parker como materiais auxiliares para o ensino do número e do cálculo. No bojo da renovação pedagógica almejada pela escola graduada paulista, a crença na eficácia do método intuitivo marcou a cultura escolar das décadas finais do século XIX e iniciais do século XX. A partir do método intuitivo, a criança aprenderia Aritmética sem a necessidade de pré-requisitos provenientes de outros saberes, bastando dispor ao alcance dos seus sentidos alguns objetos/pontos/traços para serem percebidos, contados e calculados. A análise da renovação no ensino da Aritmética, aqui particularizada, elucida e exemplifica a estreita articulação estabelecida entre método de ensino, materiais didáticos próprios ao seu desenvolvimento e mudanças na epistemologia dos saberes escolares.

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Publicado
2021-08-24
Como Citar
OLIVEIRA, M.; VALDEMARIN, V. Dos quadros de Dunton às cartas de Parker: números e cálculos à vista (São Paulo, 1890-1910). Revista de Ensino de Ciências e Matemática, v. 12, n. 5, p. 1-25, 24 ago. 2021.