Projetos de Modelagem com alunos do Ensino Fundamental: contradição em um sistema de atividade

Palavras-chave: Pedagogia de Projetos, Modelagem Matemática, Teoria da Atividade, Educação Matemática

Resumo

Neste artigo, apresentamos um recorte de uma pesquisa que foi realizada em uma escola pública de Porto Alegre, RS, com alunos do 9° ano do Ensino Fundamental. A seguinte pergunta diretriz orienta este trabalho: Como se mostra o início do desenvolvimento de projetos de Modelagem por alunos do Ensino Fundamental? A concepção de Modelagem que adotamos está de acordo com as perspectivas que associam a Modelagem Matemática à Pedagogia de Projetos, uma concepção que entende que o aluno deve ser ativo durante o desenvolvimento do projeto, decidindo, inclusive, sobre o tema a ser escolhido para investigação. Para análise do desenvolvimento do trabalho, ancoradas na Teoria da Atividade, consideramos as ações tomadas pelos alunos em um sistema de atividade coletivo, composto pelo sujeito, artefatos, objeto, comunidade, regras e divisão do trabalho. A pesquisa é de cunho qualitativo e a análise dos dados apontou para a emersão de uma contradição interna entre o sujeito e o objeto da atividade relacionada ao desenvolvimento do projeto de Modelagem, a qual resultou da influência do sistema de atividade relacionado ao modo antigo de produzir conhecimento matemático em sala de aula. Além disso, a intervenção da professora mostrou-se importante para a superação dessa contradição.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Referências

ARAÚJO, J. L. Cálculo, tecnologias e modelagem matemática: as discussões dos alunos. 2002. 180 f. Tese (Doutorado em Educação Matemática) – Instituto de Geociências e Ciências Exatas, Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho, Rio Claro, 2002.

BORBA, M. C.; VILLARREAL, M. V. Humans-With-Media and the Reorganization of Mathematical Thinking: information and communication technologies, modeling, experimentation and visualization. New York: Springer, 2005.v. 39.

DANIELS, H. Vygotsky e a Pesquisa. São Paulo: Loyola, 2011.

ENGESTRÖM, Y. Aprendizagem Expansiva. Tradução de Fernanda Liberali (Org.) 2. ed. Campinas: Pontes Editores, 2016.

ENGESTRÖM, Y. Expansive learning at work: toward an activity theoretical reconceptualization. Journal of Education and Work, London, v. 14, n. 1, 2001. p. 133-156.

ENGESTRÖM, Y. Nom scolae sed vitae discimus: como superar a encapsulação da aprendizagem escolar. In: DANIELS, H. (Org.). Uma introdução a Vygotsky. São Paulo: Loyola, 2002. p. 175-197.

ENGESTRÖM, Y. Aprendizagem Expansiva: dez anos depois. 1999a. In: ENGESTRÖM, Y. Aprendizagem Expansiva. Tradução de Fernanda Liberali (Org.) 2. ed. Campinas: Pontes Editores, 2016.

ENGESTRÖM, Y. Activity Theory and individual and social transformations. In: Y. ENGESTRÖM, R. MIETTINEN & R-L. PUNAMÃKI (Eds.). Perspectives on Activity Theory. Learning in doing: social, cognitive, and computational perspectives. Cambridge: Cambridge University Press, 1999b. p. 19-38.

ENGESTRÖM, Y.; SANNINO, A. Discursive manifestations of contradictions in organizational change efforts. Journal of Organizational Change Management, 2011. 3, p. 368-387.

ENGESTRÖM, Y.; SANNINO, A. Studies of expansive learning: Foundations, findings and Future. Educational Research Review, v. 5, p.1-24, 2009.

GOLDENBERG, M. A arte de pesquisar: como fazer pesquisa qualitativa em Ciências Sociais. Rio de Janeiro: Record, 2007.

HERMÍNIO, M. H. G. B. O processo de escolha dos temas dos Projetos de Modelagem Matemática. 2009. Dissertação (Mestrado em Educação Matemática) - Instituto de Geociências e Ciências Exatas, Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”, Rio Claro, 2009.

MALHEIROS, A. P. S. Educação Matemática Online: a elaboração de projetos de modelagem. 2008, 178f. Tese (Doutorado em Educação Matemática) - Instituto de Geociências e Ciências Exatas, Universidade Estadual Paulista "Júlio de Mesquita Filho", Rio Claro, 2008.

NUNES, A. DA S.; NASCIMENTO, W. J.; SOUSA, B. N. P. A. Modelagem Matemática: um panorama da pesquisa brasileira na educação básica. Revista de Ensino de Ciências e Matemática, v. 11, n. 4, p. 232-253, 22 jul. 2020.

PICCOLO, G. M. Historicizando a Teoria da Atividade: do embate ao debate. Psicologia e Sociedade; São Carlos, 24 (2), p. 283-292, 2012.

SANT’ANA, A. A.; SANT’ANA, M. DE F.; SERPA, P. B. DA S. Discussões entre professora e alunos em um ambiente de modelagem geométrica. Revista de Ensino de Ciências e Matemática, v. 11, n. 1, p. 79-90, 1 jan. 2020.

SCUCUGLIA, R. R. S. On the nature of students’ digital mathematical performance. 2012. Tese (Doutorado em Educação) – University of Western Ontário, London, 2012.

SOARES, D. S.; SOUTO, D. L. P. Tensões no processo de análise de modelos em um curso de cálculo diferencial e integral. REMATEC. Revista de Matemática, Ensino e Cultura (UFRN), Belém, v. 1, n. 17, p. 44-74, set./dez. 2014.

SOUTO, D. L. P. Transformações Expansivas na Produção Matemática on-line. São Paulo: Cultura Acadêmica, 2014.

Publicado
2021-03-01
Como Citar
MONTENEGRO, C.; SOARES, D. Projetos de Modelagem com alunos do Ensino Fundamental: contradição em um sistema de atividade. Revista de Ensino de Ciências e Matemática, v. 12, n. 2, p. 1-22, 1 mar. 2021.
Seção
Artigos Gerais