Afrocentrando discursos por outra natureza da ciência e da tecnologia para ensinar ciências

Palavras-chave: Natureza da Ciência e da Tecnologia, Afrocentralidade, Análise de discurso, Discurso CTS

Resumo

Conhecimentos científicos e tecnológicos são formulados na conjuntura sociocultural, político-econômica e ideofilosófica das sociedades, produzindo sentidos em seus sistemas discursivos. Considerando que tradições coloniais silenciaram naturezas outras da ciência e da tecnologia, principalmente as relativas ao repertório de linguagens de povos originários, cumpre ao ensino de ciências promover formações discursivas em interlocução com outras formas-conteúdos de intervenção na realidade, visibilizando outros discursos tecnocientíficos. Para tanto, por uma abordagem contra-hegemônica, analisamos a narrativa do filme: Os deuses devem estar loucos, de 1980, enfocando a cultura tecnocientífica de uma sociedade da África do Sul, em Botswana, para propor uma reformulação discursiva para ensinar ciências. Revisionando gestos particulares de poder, de ser e de saber por projetos de fazer-ser social, sugerimos caminhos para um ensino de ciências afrocentrado na Educação Básica.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Referências

CASSIANI, S.; VON LINSINGEN, I. Seminários de Linguagem na Educação Científica e Tecnológica. Florianópolis: UFSC/PPGECT, 2017. Notas de aula.

CASSIANI, S.; VON LINSINGEN, I. Educação CTS em perspectiva discursiva: contribuições dos Estudos Sociais da Ciência e da Tecnologia. Redes, v. 16, n. 31, 2010. p. 163-182.

CERQUEIRA, M. Quem foi o ‘primeiro’ ser humano a surgir na Terra? JornalCiência: Diversos: Sociedade. s/d. Disponível em: http://www.jornalciencia.com/quem-foi-o-primeiro-ser-humano-a-surgir-na-terra/. Acesso em: 3 nov. 2018.

CUNHA JÚNIOR, H.A. Tecnologia africana na formação brasileira. 1.ed. Rio de Janeiro: CEAP, 2010.

EL FASI, M. (Ed.) História geral da África: III: África do século VII ao XI. Brasília: UNESCO, 2010. Disponível em: https://unesdoc.unesco.org/ark:/48223/pf0000190251. Acesso em: 15 dez. 2018.

FALS-BORDA, O. Experiencias teórico-prácticas. In: Fals-Borda, O. Una sociología sentipensante para América Latina. Bogotá: Siglo del Hombre; CLACSO, 2009. p. 303-366. Disponível em: http://bibliotecavirtual.clacso.org.ar/ar/libros/coedicion/fborda/fborda.pdf. Acesso em: 30 nov. 2018.

FREIRE, P.; GUIMARÃES, S. Dialogando com a própria história. São Paulo: Paz e Terra, 2011.

FREIRE, P. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. 13. ed. São Paulo: Paz e Terra, 1999.

KI-ZERBO, J. (ed.). História geral da África: metodologia e pré-história da África. 2.ed. rev. Brasília: UNESCO, 2010. Disponível em: https://unesdoc.unesco.org/ark:/48223/pf0000190249. Acesso em: 25 nov. 2018.

LANDER, E. Ciências sociais: saberes coloniais e eurocêntricos. In: Lander, E. (org.). A colonialidade do saber: eurocentrismo e ciências sociais: perspectivas latinoamericanas. Buenos Aires: CLACSO; Ciudad Autónoma de Buenos Aires, 2005. p. 8-23. (Colección Sur Sur).

MACHADO, A.F.; OLIVEIRA, E. Africanidades, legislação e ensino: educação para relações étnico-raciais, lei 10.639, filosofia e ancestralidade. In: KOMINEK, A.M.V.; VANALI, A.C. (orgs.). Roteiros temáticos da diáspora: caminhos para o enfrentamento ao racismo no Brasil. Porto Alegre: Fi, 2018. p. 49-76. (Série estudos africanos).

MACHADO, C.E. Ciência, tecnologia e inovação africana e afrodescendente. Florianópolis: Bookess, 2014.

MALDONADO-TORRES, N. Sobre la colonialidad del ser: contribuciones al desarrollo de un concepto. In: CASTRO-GÓMEZ, S.; GROSFOQUEL, R. (eds.). El giro decolonial: reflexiones para una diversidad epistémica más allá del capitalismo global. Bogotá: Siglo del Hombre, 2007. p. 127-167. Disponível em: http://ram-wan.net/restrepo/decolonial/17-maldonado-colonialidad%20del%20ser.pdf. Acesso em: 11 nov. 2018.

MOREIRA, A. Racismo recreativo. São Paulo: Sueli Carneiro; Pólen, 2019. (Feminismos plurais).

NAVES, F. Pontas de seta mais antigas têm 64 mil anos: achado é visto pelos cientistas no contexto da técnica de caça de arco e flecha. Diário de Notícias: Tópicos: Ciências, 2010. Disponível em: https://www.dn.pt/ciencia/interior/pontas-de-seta-mais-antigas-tem-64-mil-anos-1649170.html. Acesso em: 22 nov. 2018.

NUNES, J.A. O resgate da epistemologia. In: SANTOS, B.S.; MENESES, M.P. (orgs.). Epistemologias do sul. 1.ed. 4.reimp. São Paulo: Cortez, 2010. p. 261-290.

ORLANDI, E.P. Análise de discurso: princípios e procedimentos. 12. ed. Campinas, SP: Pontes, 2015.

ORLANDI, E.P. Discurso e texto: formulação e circulação dos sentidos. 4. ed. Campinas, SP: Pontes, 2012.

PEDUZZI, L.O.; RAICIK, A.C. Sobre a natureza da ciência: asserções comentadas para uma articulação com a história da ciência. Florianópolis: UFSC, 2017. 51p. Disponível em: www.evolucaodosconceitosdafisica.ufsc.br. Acesso em: 20 ago. 2018.

PEREIRA, F. A diversidade linguística africana e suas heranças na formação do português do Brasil. Afreaka, 2012. Disponível em: http://www.afreaka.com.br/notas/diversidade-linguistica-africana-e-suas-herancas-na-formacao-portugues-brasil/. Acesso em: 13 nov. 2018.

PETTER, M.M.T. Línguas africanas no Brasil. África: Rev. do Centro de Estudos Africanos, USP, S. Paulo, 27-28, 2006/2007. p. 63-89.

PINTO, A.V. O conceito de tecnologia. v. 1. Rio de Janeiro: Contraponto, 2005.

QUIJANO, A. Colonialidade do poder e classificação social. In: Santos, B.S.; MENESES, M.P. (orgs.). Epistemologias do sul. 1.ed. 4.reimp.. São Paulo: Cortez, 2010. p. 84-130.

QUIJANO, A. Colonialidad del poder, eurocentrismo y América Latina. In: LANDER, E. (org.). La colonialidad del saber: eurocentrismo y ciencias sociales: perspectivas latinoamericanas. Buenos Aires: CLACSO, 2000.

SBARDELOTTO, M. Ubuntu: a filosofia do ‘Nós’. Entrevistado: Mogobe Bertrand Ramose. Tradução de Luís Marcos Sander. IHU On-line, 2016. Disponível em: https://afrokut.com.br/blog/ubuntu-a-filosofia-do-nos/. Acesso em: 14 nov. 2018.

SANTA CATARINA. Secretaria de Estado da Educação. Sistemática de capacitação para educadores da rede estadual de ensino. Santa Catarina: SED; Direção de Gestão de Pessoas, 2016. Disponível em: http://www.sed.sc.gov.br/documentos/recursos-humanos-161/sistematica-de-capacitacao-117. Acesso em: 12 nov. 2018.

SILVA, H.C. O que é divulgação científica? Ciência & Ensino: Debate, Campinas, SP, v. 1, n. 1, 2006. p. 53-59.

UYS, J. Os deuses devem estar loucos. Direção de Jamie Uys, Wellson Chin e Billy Chan. Califórnia, EUA: 20th Century Fox; Weintraub Entertainment Group, 1980. Filme. Audiov., color., 109’.

WALSH, C. Interculturalidad crítica y pedagogía de-colonial: apuestas (des)de de el in-surgir, re-existir y re-vivir. Educação on-line, Rio de Janeiro, 2009. p. 1-29. Disponível em: https://www.maxwell.vrac.puc-rio.br/13582/13582.PDF. Acesso em: 15 nov. 2018.

WALSH, C. Interculturalidad, colonialidad y educación. Rev. Educación y Pedagogía, v. 17, n. 48, 2007. pp. 25-35. Disponível em: https://aulaintercultural.org/2014/07/02/interculturalidad-colonialidad-y-educacion/ . Acesso em 10 nov. 2018.

Publicado
2020-10-18
Como Citar
DE-CARVALHO, R. Afrocentrando discursos por outra natureza da ciência e da tecnologia para ensinar ciências. Revista de Ensino de Ciências e Matemática, v. 11, n. 6, p. 132-151, 18 out. 2020.
Seção
Artigos Gerais